O corpo do pai se transforma quando ele exerce funções de cuidado
Lee Gettler, antropólogo da Universidade de Notre Dame, revela como a paternidade ativa transforma o corpo e o comportamento dos homens, e por que isso importa para as políticas públicasQuanto mais o pai se envolve, com presença e compromisso, no cuidado com a primeira infância, mais profunda são as transformações que ocorrem em sua rotina, sua forma de sentir, de se relacionar e até mesmo em seu próprio corpo.
Essa é uma das conclusões dos estudos de Lee Gettler, antropólogo da Universidade de Notre Dame que é uma das principais referências mundiais no estudo da paternidade. No dia 23 de setembro, ele foi o convidado especial de um bate-papo online com gestores e técnicos da Rede Urban95, para falar sobre essas transformações e como esse conhecimento pode embasar a construção de programas e serviços de parentalidade.
A gravação completa do encontro está disponível no canal da Urban95 no YouTube. Assista:
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Paternidade que transforma
A conversa teve como ponto de partida o episódio The Dad Bod Theory, do podcast Birth of a Parent (em inglês), da Fundação Van Leer (FVL). Neste episódio, Gettler compartilha detalhes de seus estudos, revelando como o compromisso ativo do homem com o cuidado dos filhos e do lar desencadeia mudanças hormonais em seu corpo que facilitam a sensibilidade e o vínculo afetivo, criando um ciclo que se retroalimenta para facilitar o envolvimento paterno.
No encontro com a Urban95, o pesquisador reforçou esses resultados e destacou outras evidências científicas sobre os efeitos da paternidade ativa na saúde: homens que se tornam pais presentes tendem a viver mais, a ter menor risco de doenças crônicas, a reduzir comportamentos de risco (como tabagismo e direção imprudente), a cuidar mais da própria saúde e a ter maior senso de propósito e satisfação com a vida no longo prazo.
O que os programas precisam considerar
A pesquisa do antropólogo traz achados que podem ser valiosos para embasar a criação de políticas públicas de parentalidade nas cidades. Ele compartilhou com a Rede Urban95 algumas estratégias para desenvolver essas iniciativas.
A primeira delas é mostrar aos homens como sua presença influencia o desenvolvimento da criança: na saúde, no desempenho escolar, nos relacionamentos futuros, nas possibilidades profissionais e na qualidade de vida. “Isso costuma ser muito significativo para os pais”.
Ele também destacou que muitos programas e serviços costumam se apresentar como “para famílias”, mas que, na prática, são voltados para mães e bebês.
É importante que os pais também sejam os destinatários centrais das intervenções.
Outro ponto importante é a narrativa. O pesquisador alertou para a importância de não falar sobre paternidade apenas como uma lista de responsabilidades, mas também como algo divertido, transformador e significativo.
Há momentos extraordinários na experiência de acompanhar uma criança descobrindo o mundo. Os programas devem contar essa história também.