Estância Velha inaugura primeiro pátio naturalizado na EMEI Raios do Sol Nascente
Projeto potencializa desejo de crianças e educadores em escola que já havia iniciado transformação do espaço com retirada de cercas e telasPontes de troncos de madeira cruzam o novo pátio da EMEI Raios do Sol Nascente, desafiando o equilíbrio das crianças pequenas que ali brincam. Enquanto isso, outras seguem pulando e caminhando pelas bolachas e tocos de madeira de diferentes alturas que formam caminhos no chão. Ao lado, encontram estruturas de madeira para subir e escalar e, se cansarem, têm à disposição cabanas construídas com galhos e folhas para se abrigar, além de um redário.
Os pequenos que coletam terra, pedrinhas, folhas, flores e galhos, seja na nova horta ou pelo caminho, podem manusear e misturar tudo isso na cozinha da natureza, que conta com utensílios domésticos para brincarem de cozinhar. E, se a sede de aventura bater, é hora da montaria nos animais esculpidos de madeira, como cavalos e jacarés, que agora habitam o espaço.
Assim é o dia a dia das crianças da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Raios do Sol Nascente, em Estância Velha (RS), em seu novo pátio naturalizado. Inaugurado no dia 3 de outubro de 2025, o espaço é o primeiro de uma série de pátios naturalizados que a prefeitura, por meio do Grupo Intersetorial de Trabalho Criança na Cidade, planeja implementar em unidades escolares da rede municipal. O projeto teve coordenação do CECIP e parceria técnica do Coletivo Taboa.
O pátio que se libertou
O novo pátio da EMEI Raios do Sol Nascente é a realização de um sonho antigo. Antes da naturalização, a escola já havia dado os primeiros passos de um movimento de transformação, com consultoria da Zelo, também dentro da iniciativa Urban95.
O pátio antigo era todo dividido por cercas e telas de proteção e havia apenas brinquedos estruturados, como escorregadores de plástico e gangorras. Mas os educadores começaram a notar algo curioso: as crianças preferiam os cantinhos sem brinquedo, onde pegavam gravetos, mexiam na terra, subiam nas ameixeiras e coletavam folhas, pedrinhas e sementes. Dessa observação, veio a primeira decisão: a retirada de cercas, telas e de tudo o que separava os pequenos uns dos outros e do ambiente. Foi o primeiro respiro de um pátio que se libertava.
Por isso, quando a proposta de naturalização do pátio chegou, por meio do CECIP e do Coletivo Taboa, a escola já estava madura para a transformação. O projeto, na prática, potencializou o que já estava em andamento e deu técnica, escala e profundidade a um desejo coletivo.
Escuta ativa e mãos na massa
Antes de qualquer intervenção no pátio, os educadores e as crianças foram escutadas sobre o que queriam para o espaço. Os pequenos pediram por lugares para escalar, para fazer cambalhotas, para se equilibrar, para se pendurar: oportunidades para brincar mais livremente e soltar a criatividade. As crianças bem pequenas e os bebês, que antes tinham poucas oportunidades ali, também foram lembrados: eles precisam de texturas, de alturas diferentes e de lugares onde pudessem engatinhar.
Com auxílio das secretarias municipais de Obras e Meio Ambiente, todos participaram da construção do novo pátio: crianças, educadores, funcionários e pessoas da comunidade escolar. A maioria dos materiais utilizados veio da poda de plátanos que ocupavam uma grande parte do espaço, árvores que dificultavam o crescimento de outras espécies de plantas e o cultivo do pomar, além de possuírem uma resina prejudicial para os pequenos. E o que antes era problema, virou matéria-prima da brincadeira.
O pátio que cresceu
Para que o novo pátio fosse um espaço vivo de aprendizado, as educadoras da EMEI Raios do Sol Nascente participaram de uma série de encontros formativos. A sede foi a própria escola em transformação, e as oficinas reuniram também professores de outras escolas da rede municipal. Durante uma semana, eles mergulharam em atividades de sensibilização com elementos naturais para dar intencionalidade pedagógica ao uso do espaço.
A intenção da prefeitura é que este projeto piloto sirva de modelo e que a iniciativa seja expandida para todas as escolas da cidade. E enquanto a iniciativa avança, os bebês e as crianças pequenas da EMEI Raios do Sol Nascente já nem se lembram das antigas cercas. Elas só sabem que, de repente, o pátio cresceu, e que, no novo espaço, nada delimita e tudo é um convite.
Veja como o pátio ficou: