Guarujá inaugura pátio naturalizado integrando CRAS e escola
Antigo espaço concretado e sem uso dá lugar a um pátio verde e vivo que conecta equipamentos da Educação Infantil e Assistência SocialPor mais de cinco anos, a área externa do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) Morrinhos, no Guarujá (SP), ficou fechada e sem uso. Hoje, o mesmo lugar abriga um pátio cheio de verde e vida, onde crianças brincam, exploram e aprendem ao ar livre, e adultos cuidadores descansam e convivem com outras famílias.
Além de requalificado, o novo espaço foi integrado ao terreno vizinho, onde fica a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Professor João de Oliveira. Agora, os cerca de 150 alunos da unidade, que não tinha nenhuma área verde, têm acesso direto a um novo ambiente repleto de natureza.
Essa transformação foi viabilizada pela Urban95, iniciativa da Fundação Van Leer, num projeto que teve coordenação do CECIP, consultoria técnica do Coletivo Taboa e parceria das Secretarias de Assistência Social, Educação, Obras, Saúde e Meio Ambiente do Guarujá.
Um pátio que respira
O muro que separava o CRAS da escola foi derrubado e um portão foi instalado para fazer a passagem entre os dois equipamentos. O corredor de cimento que unia os espaços foi quebrado e, aos poucos, o que era duro e cinza deu lugar à terra e ao verde.
O que se vê no local agora é um espaço livre, com muita natureza, e elementos que convidam os pequenos à exploração: grama, terra, árvores, plantas, pedras, flores, canteiros com hortas, mobiliários e brinquedos de madeira para subir, pular, se equilibrar. Há ainda uma cozinha da natureza, para que eles inventem, misturem folhas e galhos e criem receitas imaginárias. Tudo foi criado a partir de sobras de poda urbana.
A transformação do espaço foi feita de forma colaborativa. As crianças participaram das discussões, trazendo suas ideias para o novo pátio. As equipes do CRAS e da escola se envolveram em cada etapa, assim como moradores da comunidade e profissionais das secretarias municipais que atuaram para viabilizar a intervenção.
Novas rotinas
Ivelise de Souza Schalch, psicóloga do CRAS, conta que o pátio já faz parte da rotina do serviço de convivência e fortalecimento de vínculos. O serviço reúne famílias com crianças de 0 a 6 anos semanalmente e, a cada 15 dias, a atividade acontece ao ar livre, se o tempo permitir. Além disso, o espaço virou o principal ponto de ações coletivas da Assistência Social, como o grande encontro que reuniu famílias dos quatros CRAS da cidade durante o Mês da Primeira Infância.
Na escola, cada turma tem um horário fixo por semana para ir ao pátio. Fora do horário previsto, se o espaço estiver livre, qualquer turma pode usar. Segundo a orientadora pedagógica Eleni Soares de Lira, a integração de brincadeiras livres e o contato direto com a natureza alteraram positivamente a rotina dos estudantes.
As professoras relatam que as crianças ficaram mais calmas, mais concentradas e envolvidas. Como o pátio é composto por materiais não estruturados onde tudo se torna brinquedo, não tem mais disputa, e agora elas brincam mais juntas.
A iniciativa transformou o espaço num lugar onde as vivências e aprendizagens acontecem de forma significante para as crianças.