Pé de Infância: projeto de mudança de comportamento é apresentado para as cidades da Rede Urban95
Pé de Infância usa ciência do comportamento e caixas de ferramentas para estimular cuidado positivo de bebês e crianças pequenas nas cidades da Rede Urban95Com o objetivo de incentivar comportamentos positivos na primeira infância, o programa Pé de Infância foi apresentado para as cidades da Rede Urban95 durante webinar realizado em 7 de maio.
O programa foi realizado pela Allma Hub Criativo, organização especialista em comportamento e parceira técnica da Urban95. "Aceitamos o desafio de transformar teoria em prática, pegar todo o repertório teórico e estratégico de uma fundação mundial [Fundação Van Leer], que tem muitas práticas testadas, e localizar isso em nosso país, nos municípios em que a gente trabalha", afirmou a consultora da Allma, Ana Marques, durante o webinar.
Para o Pé de Infância ser efetivo e se desenvolver como planejado, a Allma buscou não só se atentar ao que os teóricos da primeira infância dizem, mas também ao que as comunidades, as crianças e os cuidadores falam. Por isso, Thais Ferreira, mãe, periférica e ativista, participou do processo de escuta como consultora para a criação do projeto. Ana explicou: "A gente precisou dessa escuta atenta para as vozes, precisou ter 95 centímetros de altura e olhar a cidade na perspectiva da criança pequena, precisou chamar o Brasil de ‘Brasis’, a infância de ‘infâncias’ e pensar no adultocentrismo, que impera as coisas e hostiliza, muitas vezes, e tratar a criança no centro de tudo e trabalhar uma perspectiva totalmente invertida".
Recordar a infância e cuidar do presente
Antes de apresentar o Pé de Infância, os gestores, técnicos e funcionários das cidades que integram a Rede Urban95 receberam o convite para imaginar a criança que eram aos cinco anos de idade. A proposta foi feita pelo educador e poeta André Gravatá.
O coautor do livro “Volta ao mundo em 12 escolas” levantou reflexões sobre a infância com poesias como “Questão 111”, de Manoel de Barros:
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa. Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada. Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa. Era uma enseada. Acho que o nome empobreceu a imagem.
“Porque esse homem empobrece essa imagem dessa criança?”, questionou Gravatá, impulsionando a avaliação sobre como os adultos podem interferir na criatividade, imaginação e desenvolvimento das crianças. “A poesia pode ser esse lugar dos adultos se misturarem novamente com o mundo, é um dos jeitos de brincar de imaginar”, afirmou.
Ana Marques comentou que “as crianças que acabaram de chegar ao mundo encontraram uma crise sanitária muito grande, então, nosso trabalho é um resguardo desta criança que está nascendo agora”.
Assista ao webinar completo de apresentação do Pé de Infância no canal do YouTube Rede Urban95 Brasil.