Recife lança cartilhas com diretrizes de acolhimento da primeira infância em emergências climáticas
Bebês, crianças pequenas e famílias exigem atenção especial nesses contextos. Materiais trazem orientações de como fazê-loDiante de crises climáticas, como garantir a segurança e os direitos de bebês e crianças pequenas, sobretudo quando é necessário deixar o lar? Para responder a essa questão, a Prefeitura do Recife lançou as cartilhas “Quando a Chuva Vem” e “Cuidar na Crise”. As publicações trazem orientações para garantir acolhimento, segurança e cuidado à primeira infância antes, durante e depois de alagamentos e deslizamentos, aprofundando no que fazer durante a crise e como organizar os abrigos emergenciais para receber famílias com crianças pequenas. Os materiais foram desenvolvidos pela Prefeitura do Recife, com apoio da Urban95, da Fundação Van Leer e com assessoria técnica do CECIP.
Experiências recentes da capital pernambucana com emergências climáticas mostraram a urgência de um olhar mais atento às necessidades específicas da primeira infância nesses contextos. E foi justamente essa lacuna que motivou a criação dessas duas cartilhas inéditas, que incluem questões como o direito ao brincar, a proteção contra violências e o cuidado com a saúde emocional de bebês na gestão e operação de abrigos emergenciais.
Orientações para cuidadores
Como se preparar e se manter seguro em situações de emergência? O que esperar do funcionamento dos abrigos, como será a convivência, quais são os direitos das crianças e os serviços disponíveis?
Essas são algumas das perguntas que orientam a cartilha “Quando a Chuva Vem – Cuidar de bebês e crianças em situações de risco e em desastres climáticos”. A publicação é voltada para famílias com crianças de 0 a 6 anos de idade que vivem em áreas de risco. Aos pais e cuidadores, ela traz orientações objetivas de como proteger as crianças, especialmente bebês e primeira infância. Para as crianças, traz atividades que podem ser utilizadas para a educação sobre emergências ou como brincadeiras durante o abrigamento.
Conforme destaca a especialista em abrigamento de emergência e autora dos materiais, Eliceli Bonan, “Quando a Chuva Vem” informa sobre a primeira infância e, ao mesmo tempo, é um material destinado diretamente a ela. A cartilha será usada pela Defesa Civil do Recife em suas ações comunitárias de prevenção com grupos de moradores e com o Nupdequinho, uma iniciativa do órgão voltada para a inclusão da primeira infância na gestão de riscos e adaptação às mudanças climáticas.
Diretrizes aos profissionais
Já a cartilha “Cuidar na Crise – Atenção à primeira infância nos abrigos emergenciais em situações de risco e desastres climáticos” é destinada a gestores, equipes técnicas e profissionais que atuam em situações de risco e desastres climáticos.
A publicação orienta desde o planejamento prévio até a operação dos abrigos emergenciais: quais protocolos seguir, quais as responsabilidades de cada equipe e como garantir a atenção integral às famílias, sempre adotando práticas que priorizam o bem-estar e os direitos de bebês e crianças pequenas.
Entre os temas abordados estão a manutenção de ambientes seguros e inclusivos, a proteção e prevenção de riscos, a continuidade educacional dos pequenos mesmo em situação de crise, e a importância do brincar como forma de cuidado. Também são contempladas a participação dos abrigados na gestão dos espaços coletivos, os cuidados com a nutrição e a saúde emocional – tanto das crianças e famílias atendidas quanto dos próprios profissionais.
Eliceli destaca a presença de checklists no material, pensados como guias de bolso para serem usados pelos profissionais durante as emergências, acessíveis em todos os momentos. O guia é um material completo sobre abrigamento de emergência por abranger todos os temas essenciais dessa área técnica, com foco na primeira infância.
Um caminho para outras cidades
Recife inova ao considerar a perspectiva da primeira infância no acolhimento em emergências climáticas, garantindo que questões como o direito ao brincar, a proteção contra violência e a saúde emocional dos pequenos sejam consideradas em protocolos de crise.
As orientações contidas nas cartilhas foram pensadas a partir da realidade da capital pernambucana. Mas o material pode – e deve – inspirar gestores de outras cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes.