Rede Urban95 marca presença no 11º Simpósio de Primeira Infância do NCPI e mobiliza cidades online
Presencialmente em Teresina e virtualmente por todo o Brasil, a Rede Urban95 esteve no maior encontro de ciência e primeira infância do paísNa sequência do Encontro Nacional Urban95 2026, realizado no dia 23 de março, os integrantes da Rede Urban95 presentes em Teresina (PI) também marcaram presença no 11º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).
O evento, que aconteceu nos dias 24 e 25 de março, reuniu especialistas, gestores públicos e ativistas para discutir temas como políticas integradas, educação infantil, segurança pública, mudanças climáticas, bem-estar de cuidadores e o impacto do uso de telas. Além dos presentes na capital piauiense, dezenas de cidades acompanharam as discussões à distância por meio de simpósios-satélites organizados em todo o Brasil, incluindo vários municípios da rede.
Primeiro dia: desigualdades, clima e juventude em pauta
O primeiro dia do Simpósio começou com um debate sobre os desafios e as oportunidades da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), com Alexsandro Santos (MEC), Naercio Menezes (NCPI) e Priscila Castro (Instituto Dara). A conversa reforçou a importância de políticas públicas integradas para enfrentar as desigualdades que afetam os primeiros anos de vida.
Em seguida, Junlei Li (Universidade de Harvard) apresentou uma conferência sobre o papel central que interações cotidianas simples têm na qualidade da educação infantil. Ele destacou:
Interações cotidianas simples são os elementos mais importantes das relações saudáveis e promotoras do desenvolvimento. Isso é alta qualidade.
No último debate da manhã, Ednéia Gonçalves (ONG Ação Educativa), Claudia Baré (Espaço Cultural Indígena Uka Mbsuesara Wakenai Anumarehit) e Emilene de Sousa (UFMA) falaram sobre equidade e acesso na educação infantil, abordando temas como educação infantil indígena e combate ao racismo.
À tarde, a conversa foi sobre segurança pública e primeira infância, com Dandara de Oliveira Ramos (UFBA), Andréia Martins (Redes da Maré) e Santiago Uribe (Escritório de Resiliência de Medellín).
Na sequência, João Victor da Silva (jovem conselheiro do UNICEF), compartilhou sua trajetória como ativista pelo clima. Ele destacou a importância do território, da família e da escola no desenvolvimento infantil e como tem visto as mudanças climáticas afetarem esses fatores em sua vida, concluindo que:
A crise climática não é igual para todos. Certos corpos acabam na linha de frente, como crianças e adolescentes. Estamos na mesma tempestade, mas em barcos diferentes.
Para fechar o primeiro dia, um painel sobre resposta climática na prática trouxe experiências de Ismael Silva (Secretaria de Educação de Teresina) e Raquel Teixeira (Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, e as medidas adotadas diante das emergências climáticas – as ondas de calor na capital piauiense e as enchentes nos estados do Sul.
Segundo dia: epigenética, cuidadores e telas
O último dia do Simpósio começou com uma explicação do geneticista molecular Mariano Zalis (UFRJ) sobre como as experiências na primeira infância moldam o desenvolvimento infantil. Ele mostrou que afetos e traumas afetam diretamente a epigenética das crianças, destacando o poder do toque, do cuidado e do afeto, assim como os riscos da má alimentação e do estresse excessivo.
Na sequência, Patricia Núñez (Fundação Van Leer), Thais Ferreira (vereadora do Rio de Janeiro) e Emanuel Herbert (Rede Makira E’ta) debateram sobre o bem-estar de quem cuida. Patricia apresentou as evidências científicas que mostram como investir na saúde mental das mães, na construção de redes de apoio e em programas que protejam o bem-estar de pais e cuidadores faz as crianças se desenvolverem melhor.
As evidências científicas são sólidas ao demonstrar como o bem-estar dos cuidadores impacta as crianças.
O encerramento do Simpósio abordou o uso de telas e seus impactos no desenvolvimento infantil. Maria Beatriz Linhares (FMRP-USP) e Paulo Fochi (Instituto OBECI) trouxeram um alerta sobre os prejuízos do excesso de telas para o desenvolvimento cerebral, cognitivo, linguístico, emocional, social e físico das crianças. Paulo Fochi concluiu: “É nas relações que a criança aprende a ser humano, a cooperar, a lidar com conflitos, a reconhecer o outro – habilidades que nenhuma tela ensina”. A mensagem final foi clara: a saída está na interação real e no brincar.
Simpósios-satélites
Paralelamente à programação presencial em Teresina, dezenas de municípios brasileiros organizaram simpósios-satélites para acompanhar as discussões à distância, levando o conteúdo do Simpósio para equipes técnicas que lidam com primeira infância em todas as regiões do país.
Veja as equipes reunidas para os simpósios-satélites em algumas das cidades da rede: