Brincar, contar histórias, cantar e ler

Interações com bebês e crianças pequenas beneficiam seu desenvolvimento e o vínculo entre cuidador e criança

Contar histórias, cantar e ler criam um importante alicerce para o desenvolvimento socioemocional na primeira infância, assim como para o desenvolvimento da linguagem e a posterior alfabetização das crianças. Pesquisas já relacionaram respostas aos sons, expressões e movimentos dos pequenos com seu QI durante a adolescência, o que reforça a importância da arte no desenvolvimento integral do ser humano, incentivando a criatividade, expressões individuais e sociais. 

As habilidades infantis podem ser melhor estimuladas por meio de atividades com os pais e cuidadores, como a leitura compartilhada de livros. Ler em voz alta familiariza as crianças com a linguagem e estimula o vocabulário, além de ajudar nos processos de compreensão do mundo ao redor. Falar e cantar para bebês e crianças pequenas também ajuda no desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como ferramentas para lidar com as emoções e sentimentos.

As interações verbais podem tomar muitas formas, e a alfabetização do cuidador não é condição obrigatória, o que é importante em contextos de desigualdades e vulnerabilidade social. Os adultos podem inventar histórias, contar acontecimentos de suas vidas ou da história familiar e mesmo observar livros com a criança. 

A cidade também pode contar histórias

Intervenções urbanas lúdicas são um convite para crianças pequenas e seus cuidadores

Gestores e planejadores urbanos podem realizar intervenções que façam da cidade um espaço mais agradável para as crianças, como murais com histórias pelos muros, brincadeiras ou músicas pintadas nas calçadas ou instrumentos musicais em praças públicas. O ambiente também pode apoiar melhores condutas de cuidado, incluindo a contação de histórias, música ou leitura durante as tarefas do cotidiano, como caminhar até a escola. 

Se as cidades são seguras e oferecem estruturas de mobilidade adequadas a bebês e crianças pequenas, o tempo gasto nos deslocamentos e no transporte público pode ser utilizado para brincar e interagir com a criança. Áreas verdes, praças e parques são outros exemplos de espaços que convidam ao brincar e estimulam a criação de vínculos entre crianças e cuidadores. Esses lugares também são pontos de encontro de cultura e arte, tão importantes para o desenvolvimento integral na primeira infância.

Cidades podem ser lugares maravilhosos para crescer, mas também podem apresentar sérios desafios para a qualidade de vida dos bebês e crianças, que vão da escassez de espaços verdes e seguros para brincar, poluição do ar ao congestionamento. Bairros caminháveis, nos quais os serviços básicos estão disponíveis a uma distância de até 15 minutos de caminhada, e a ampliação de espaços públicos lúdicos e interativos, além de áreas verdes e que priorizem os pedestres, são algumas das propostas que vão na direção das cidades que queremos.

As ferramentas do Pé de Infância

O Pé de Infância é uma iniciativa da Urban95 para promover mudança de comportamento no cuidado com a primeira infância nas cidades brasileiras. O desenho do projeto contou com premissas científicas, cartografias afetivas das comunidades e participação de gestores dos municípios e de especialistas, tudo para criar uma caixa de ferramentas completa para gestores públicos, cuidadores e comunidades.

O objetivo do projeto é ajudar cuidadores de crianças pequenas a incluirem 3 comportamentos fundamentais em suas rotinas: brincar, cantar e contar histórias diariamente durante a primeira infância. A caixa de ferramentas se divide entre:

  • Materiais Institucionais;
  • Guias e Manuais;
  • Ações de Mudança de Comportamento;
  • Intervenções Urbanas; 
  • Áudios e Vídeos;
  • Jornada de WhatsApp;
  • Ações Comunitárias.